Toffoli abre investigação contra Moro por possível manipulação em acordo de delação

Por Luísa Martins e Caetano Tonet, Valor — Brasília
15/01/2024 11h19 Atualizado há 11 horas

O juiz Dias Toffoli do Supremo Tribunal Federal (STF) abriu uma investigação contra o senador Sergio Moro (União-PR) e os procuradores da República por suspeita de fraude em um acordo de delação premiada da Operação Lava-Jato. Moro foi o juiz responsável pelas investigações até 2018 e depois integrou o governo de Jair Bolsonaro.

A decisão sigilosa atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e envolve a delação do ex-deputado Tony Garcia (PR). De acordo com o Ministério Público e a Polícia Federal (PF), existem suspeitas de que Garcia tenha sido forçado a atuar como um “infiltrado” a serviço de Moro e dos procuradores.

Garcia assinou o acordo em 2004, depois de ser preso pela PF sob suspeita de fraudes no Consórcio Nacional Garibaldi, em um caso anterior à Lava-Jato. Segundo seu próprio depoimento, ele passou a ser coagido por Moro para obter evidências contra outras figuras públicas, especialmente ligadas ao PT.

O ex-deputado afirmou que sua colaboração premiada foi usada como “instrumento de chantagem” por Moro e os procuradores, para que eles pudessem explorar suas relações sociais para investigar políticos e empresários.

As alegações de Garcia foram apresentadas à 13ª Vara em 2021, depois que Moro deixou a magistratura. O juiz Eduardo Appio, que estava à frente da Lava-Jato de fevereiro a maio de 2023, encaminhou as alegações ao Supremo no ano passado.

A PGR aponta que, se as declarações do ex-parlamentar forem comprovadas durante a investigação, ficará claro que houve um “desvirtuamento das decisões tomadas no âmbito da Operação Lava-Jato”.

A petição destaca indícios de vários crimes, como a atribuição de tarefas ilícitas a Garcia (como escutas ambientais e gravações clandestinas) e a cooptação de colaboradores, além de ameaças, coerções e negociações suspeitas para a homologação de acordos.

Em nota, a assessoria de Moro afirmou que os advogados do senador não tiveram acesso aos autos do processo e que não houve ilegalidade em sua atuação. O texto também nega os fatos afirmados por Garcia e sua afirmação de que “não cometeu crimes no Consórcio Garibaldi”.

No campo das redes sociais, Garcia disse que “está se aproximando o momento em que falsos heróis terão o mesmo destino dos corruptos”.

Siga nosso canal e receba as notícias mais importantes do dia!

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *