Taxas de juros a longo prazo registram uma ligeira redução devido à influência dos Treasuries e à atenção voltada para a agenda econômica.

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Por Victor Rezende, Valor — São Paulo
15/12/2023 18h12 Atualizado há 23 horas
Em um comportamento semelhante aos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, com algum apoio adicional da aprovação de projetos econômicos importantes na Câmara dos Deputados, os juros futuros encerraram a sessão de sexta-feira em leve queda, e a semana terminou com uma redução significativa dos prêmios de longo prazo.
O mercado continua monitorando a política monetária do Federal Reserve (Fed) e discutindo os possíveis impactos nos cortes da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central do Brasil.
Assim, ao final dos negócios na sexta-feira, a taxa de juros para o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2025 caiu de 10,11% para 10,09%; a taxa para janeiro de 2026 passou de 9,72% para 9,715%; a taxa para janeiro de 2027 recuou de 9,82% para 9,80%; e a taxa para janeiro de 2029 oscilou de 10,25% para 10,21%.
Embora tenham oscilado em uma faixa estreita, as taxas futuras encontraram espaço para um movimento de acomodação, em linha com os mercados internacionais. No final da tarde, a taxa de juros dos títulos de dez anos se manteve praticamente estável, em 3,917%. “O mercado parece querer aderir à narrativa do Fed, mesmo após alguns membros tentarem corrigir a ideia de que os juros podem cair muito cedo, o que fez o mercado buscar prêmios nos prazos mais longos da curva”, diz um operador de renda fixa.
Os movimentos internacionais se somaram às questões domésticas, já que o mercado reagiu positivamente à aprovação da MP de subsídios para investimentos na Câmara dos Deputados e ao progresso em relação à reforma tributária. “As votações ainda estão ocorrendo, mas a expectativa de conclusão da votação da reforma tributária e a aprovação da MP de subsídios são fatores positivos observados pelo mercado”, afirma um operador de renda fixa de um banco local. Vale ressaltar que a agência de classificação de risco Fitch reafirmou a classificação do Brasil como “BB”, com perspectiva estável.
Focado nos acontecimentos internacionais, o mercado tem considerado a possibilidade de uma taxa básica de juros menor no final do ciclo. “Apesar de não haver uma convergência total das expectativas de inflação e da sinalização de manutenção do ritmo de cortes de juros nas próximas reuniões, acreditamos que o cenário é compatível com um aumento na velocidade de afrouxamento monetário de 0,75 ponto percentual a partir de março”, diz a economista-chefe da Buysidebrazil, Andrea Damico, em revisão de cenário publicada nesta sexta-feira. A instituição reduziu sua estimativa para a taxa básica de juros no final de 2024 de 9,25% para 8,75%.
“Além disso, na transição do primeiro para o segundo trimestre, o horizonte relevante para o Copom será principalmente 2025, favorecendo uma maior redução de ritmo, especialmente considerando uma taxa de câmbio mais apreciada afetando os modelos de inflação da autoridade monetária”, afirma Damico. Em seu cenário base, a Buysidebrazil estima uma taxa de câmbio de R$ 4,90 no final de 2024.
O cenário de uma possível aceleração na redução da taxa básica de juros também está sendo observado de perto pelos estrategistas do Citi, que têm posições aplicadas em juros de curto prazo e apostam na queda da taxa do DI para janeiro de 2025, com uma meta de 9,80%. “Embora a mensagem do Copom permaneça em um corte de 50 pontos-base nas próximas reuniões, prevemos uma chance crescente de aceleração no ritmo de redução”, afirmam. Segundo eles, se houver evidências de desaceleração no mercado de trabalho dos EUA, isso pode levar os bancos centrais a acelerarem o processo de flexibilização monetária.
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