Padilha opta por não falar sobre “rumores”, afirma estar “satisfeito com sua posição” e declara que o governo não abrirá mão de apresentar sua agenda política ao Congresso.

Por Renan Truffi e Rafael Bitencourt, Valor — Brasília

22/12/2023 17h29 Atualizado há um dia

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Alexandre Padilha (PT-SP), procurou diminuir nesta sexta-feira (22) as críticas que vem recebendo do Centrão, bloco controlado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).

Perguntado sobre a pressão para substituir ministros do Palácio do Planalto, Padilha disse que não comenta “fofocas”, está “satisfeito no cargo” e destacou que o governo do presidente Luiz Inácio Lura da Silva não abrirá mão de propor a agenda política do governo. Nesse sentido, ele afirmou que a meta do PT é “reiniciar” o “presidencialismo de coalizão”.

“Estamos reiniciando no país um presidencialismo de coalizão. É um presidencialismo de coalizão porque foi o governo que definiu a agenda política. Nós desmantelamos a estrutura de criação de conflitos do governo anterior. Estamos saindo do presidencialismo de delegação, do presidente anterior. Esse governo não permitirá o retorno do presidencialismo de delegação”, disse.

As declarações são uma resposta à investida do Centrão para tentar convencer Lula a permitir que outros partidos, que não o PT, ocupem cargos estratégicos no governo, como é o caso justamente da Secretaria da Relações Institucionais (SRI). Essa foi a estratégia adotada na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, que terceirizou a Casa Civil e a Secretaria de Governo para partidos do grupo ligado a Arthur Lira.

Devido a esse cenário, Padilha tentou enfatizar que está “feliz” no cargo que ocupa e explicou que não irá responder “fofocas” ou ataques que sejam feitos em “off”, em referência à expressão jornalística utilizada para descrever quando uma fonte pede sigilo e não é identificada nominalmente em uma reportagem.

“Primeiro, que eu não comento aquilo que não é dito diretamente a mim ou ao presidente Lula. Eu não vou entrar em comentários de matérias em off, em comentários em off, de fofocas que são feitas pela imprensa. Eu tenho uma relação de profundo respeito com todos os deputados e senadores, em especial com os presidentes das duas Casas”, disse.

Em seguida, Padilha mencionou que está “acostumado” com a pressão. “Estou muito feliz onde estou e muito feliz no que construímos nesse período. Lula disse que nosso papel foi cumprido e quero estender isso aos presidentes das Duas Casas e aos líderes da base. Estou muito acostumado com isso [pressão]. Para estar nesse cargo que eu estou, tem que deixar o fígado na geladeira e o ego no sofá”, explicou.

Nesse sentido, Padilha elogiou o fato de o governo ter conseguido terminar o ano aprovando todas as propostas que apresentou. “O Ano Legislativo se encerra hoje com toda a nossa agenda prioritária aprovada. A partir de agora, vamos buscar as metas fiscais desafiadoras que propusemos. O governo Lula encerra o ano de forma vitoriosa e o Congresso é parceiro dessas conquistas. Já vi governos terminarem o primeiro ano sem um Orçamento aprovado, então foi um passo positivo”, concluiu.

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