Pacheco informa a Lula que a maioria no Senado é ‘limitada’.

Por Caetano Tonet, Valor — Brasília

22/12/2023 13h19 Atualizado há um dia

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou na sexta-feira (22) que tem mantido conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre governabilidade. Pacheco comunicou a Lula que a base na Casa é “apertada”, ressaltou a força da oposição e conectou isso ao aumento considerável das emendas parlamentares. Essa declaração foi feita durante um café da manhã com jornalistas na residência oficial da presidência do Senado.

“A base está bem apertada. Eu disse isso ao presidente Lula. Depende muito do assunto. O fato de o colega senador Flávio Dino ter 47 votos é um indicativo de que a base é fragmentada e a oposição é relevante”, afirmou o presidente do Senado.

Pacheco destacou como a interferência dos congressistas em uma parcela significativa do orçamento alterou o jogo político.

“Isso dificulta a formação da base porque, culturalmente no Brasil, as bases políticas no parlamento eram construídas a partir da proximidade do Executivo com o Legislativo com a possibilidade de governarem juntos”, declarou. “No passado, quando eu entrei na Câmara, as emendas eram muito menores e ficavam nas mãos do Executivo. Se você fosse aliado, as emendas eram executadas; se não fosse, não eram. Isso também não era um bom modelo. A impositividade veio com o intuito de dar independência aos parlamentares”, complementou Pacheco.

Sobre a articulação política, o presidente do Senado revelou que ligou para o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, para se desculpar por não ter saudado o petista em seu discurso de abertura da sessão solene de promulgação da reforma tributária.

Apesar do gesto, Pacheco disse que o principal articulador do governo no avanço da reforma tributária foi o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

O presidente do Senado também afirmou que se reúne frequentemente com Padilha e que os dois têm um bom relacionamento.

“Ele está sempre aqui comigo. Tenho uma relação muito boa com ele. Não resolve muita coisa, mas é uma boa relação. É só querer um pouco menos e ser tolerante com as dificuldades do outro”, disse Pacheco.

Mesmo com essa “base apertada”, Pacheco tentará chegar a um acordo para reduzir o fundo eleitoral em R$ 3 bilhões, afirmou o presidente do Senado durante a reunião com os jornalistas na manhã desta sexta-feira (22).

O presidente do Senado relatou que, em conversa com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pediu um plano de desenvolvimento para o país. Como um dos principais aliados de Haddad no Congresso, Pacheco ressaltou que toda a pauta econômica do ministro foi votada.

Pacheco também reiterou que conversou com o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, sobre a proposta de emenda à Constituição (PEC), de autoria do senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), que prevê autonomia financeira para o órgão.

“Em uma recente reunião, o presidente Roberto Campos Neto me pediu para avaliar essa possibilidade, pois está enfrentando um sério problema de perda de funcionários do Banco Central para o setor privado”, afirmou. “Pareceu-me inteligente desonerar o Tesouro para que o Banco Central autônomo pudesse ser sustentável pelas próprias instituições, por meio da taxação”, acrescentou Pacheco.

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