O Partido Socialista Brasileiro recusa acordo com Lula no primeiro turno em São Paulo e aumenta seu apoio em Tabata.

Por Cristiane Agostine — De São Paulo

22/12/2023 05h01 Atualizado há um dia

O PSB descartou na quinta-feira (21) a possibilidade de um acordo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo para ter um palanque único com os petistas no primeiro turno, e aumentou o apoio à pré-candidatura da deputada Tabata Amaral à prefeitura da capital paulista. O presidente do partido, Carlos Siqueira, afirmou que não há motivo para retirar a pré-candidatura de Tabata e apoiar o deputado Guilherme Boulos (Psol), lançado por Lula com o apoio do PT.

Não vejo motivo para um acordo no primeiro turno, disse Siqueira ao Valor. De forma alguma Tabata vai desistir, afirmou. O líder do PSB também afirmou que a pré-candidatura do partido em São Paulo é séria. Ela quer ser candidata e tem o apoio do partido, disse.

Siqueira se reuniu com Tabata na quarta-feira (20) em Brasília para discutir a estratégia eleitoral na capital paulista. No mesmo dia, durante a reunião ministerial, Lula deixou uma mensagem para o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Márcio França (Empreendedorismo), ambos do PSB, de que o governo federal não pode ter dois palanques em São Paulo.

Lula tem trabalhado diretamente para garantir apoio a Boulos. O presidente quer que a ex-prefeita e ex-petista e secretária municipal de Relações Internacionais da capital, Marta Suplicy, se filie ao PT para ser vice do pré-candidato do Psol. Além disso, Lula indicou que deve buscar o apoio do PSB.

Em 2022, durante a disputa pelo governo de São Paulo, Lula negociou a retirada das candidaturas de Guilherme Boulos e Márcio França para que Psol e PSB apoiassem Fernando Haddad (PT), atual ministro da Fazenda. Após deixar a disputa, Boulos foi lançado por Lula como candidato à prefeitura de São Paulo. França ganhou um ministério: primeiro foi o de Portos e Aeroportos e agora é o de Empreendedorismo.

O presidente do PSB negou que o partido vá desistir novamente para apoiar o candidato de Lula em São Paulo. A situação era completamente diferente. Agora, estamos vivendo tempos de normalidade, disse. Temos que nos acostumar com a democracia. Ninguém quer barganhar nada, disse o líder.

O presidente do PSB afirmou que ainda não foi procurado por Lula ou qualquer pessoa da pré-campanha de Boulos para discutir um possível acordo. Segundo Siqueira, uma aliança poderá ser feita no segundo turno com o candidato do campo progressista que estiver na disputa.

A deputada Tabata disse que entende e respeita o pedido de Lula a Alckmin e França, mas rejeitou a possibilidade de desistir para apoiar Boulos no primeiro turno. O PSB tem um projeto sólido e independente e isso não mudou, afirmou em entrevista à Rádio Bandeirantes.

Tabata preside o diretório municipal do PSB de São Paulo e na terça-feira filiou o apresentador José Luiz Datena ao partido em uma cerimônia em Brasília, com a presença de Alckmin e França. Datena é cotado para ser vice da deputada, mas ainda não decidiu se participará das eleições de 2024. Ontem, a deputada elogiou o apresentador, dizendo que ele tem uma história e vai contribuir muito se compor a chapa. O PSB precisa apresentar um projeto alternativo à polarização, disse Tabata.

A cidade de São Paulo pode ter um embate entre lulistas e bolsonaristas novamente em 2024. Lula lançou a pré-candidatura de Boulos no ano passado e o PT indicará o vice. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ainda não anunciou oficialmente seu candidato na cidade, mas tem sido cortejado pelo prefeito e pré-candidato à reeleição, Ricardo Nunes (MDB), que tenta ser o candidato do bolsonarismo na cidade. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que seu partido deve indicar o vice de Nunes e que Bolsonaro já teria dado o aval para a aliança com o prefeito.

Siga nosso canal e receba as notícias mais importantes do dia!

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *