O governo detecta mobilização para manifestações contra Lula em 8/1, mas não encontra uma adesão significativa.

Por Julia Chaib, Folhapress

30/12/2023 11h21 Atualizado há 17 horas

O Ministério da Justiça verificou a existência de convocações nas redes sociais para protestos em várias cidades do país no dia 8 de janeiro de 2024, porém sem grande adesão. Segundo o secretário nacional de Segurança Pública, Tadeu Alencar, os achados não geram preocupação, mas o governo continuará monitorando para evitar surpresas.

A data se tornou simbólica devido aos ataques de apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) aos prédios do Congresso, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF) em janeiro deste ano.

A maior preocupação é com Brasília, que sediará no dia 8 um evento oficial entre os chefes de poderes e governadores no Senado, marcando a data.

“Há sinais detectados que estão convocando [protestos], mesmo após toda a gravidade do que aconteceu e das consequências, com a prisão de pessoas. Ainda assim, há evidências abertas convocando manifestações em todos os estados”, disse Alencar à Folha.

O monitoramento das redes está sendo realizado pelo departamento de cyberlab do Ministério da Justiça. De acordo com a análise, não há indícios de movimentos robustos que estejam recrutando pessoas. “Não há nenhum sinal objetivo de algo consistente que ocorrerá no dia 8 de janeiro. Porém, não podemos confiar nisso. Acredito que todos nós aprendemos que qualquer cautela não é excessiva, sempre é adequada.”, afirmou.

Segundo Alencar, há “questões pontuais” no Distrito Federal. “Há uma manifestação no Instagram, em uma rede social, mas nada que indique que seja algo com maior organização”, disse. “Mas volto a dizer, não podemos afirmar que isso não está ocorrendo, que não está sendo realizado, que normalmente possa não estar sendo detectado”, ponderou.

O secretário de Segurança do Distrito Federal, Sandro Avelar, afirmou que, embora não haja “grandes movimentos programados”, já foi tomada a decisão de reforçar o policiamento. Até o momento, o plano prevê “um grande contingente policial disponível para ser utilizado conforme a necessidade”.

“Serão adotadas medidas de segurança pelas polícias legislativas de cada Casa, principalmente porque haverá um evento no Senado Federal; além do efetivo do Exército para a segurança do Planalto, caso seja necessário”, enumerou Avelar. Se preciso, ele disse que a Esplanada dos Ministérios poderá ser fechada.

“Estamos monitorando as redes, até o momento não há indícios de manifestações com grande número de pessoas. De qualquer forma, estamos nos antecipando, envolvendo as corporações do DF e as federais, com troca de informações de inteligência e planejamento operacional conjunto”, completou.

Nesta terça-feira (26), o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ricardo Cappelli, realizou uma reunião com os responsáveis pela segurança de todos os poderes para discutir o planejamento do evento previsto para o dia 8 de janeiro. Na ocasião, Cappelli reforçou que ainda não há movimentações que gerem alarme.

Participaram da reunião representantes da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Federal, da Força Nacional, da Secretaria de Segurança Pública do DF, do Senado, da Câmara dos Deputados, do STF e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Uma nova reunião está marcada para o próximo dia 4 de janeiro, quando o plano de segurança será finalizado.

Conforme noticiado pela Folha, Lula está muito engajado no evento e convidou os ministros do STF, que agora estão ajustando suas agendas para estarem em Brasília no dia 8 de janeiro. A organização está sob responsabilidade de Flávio Dino, que permanecerá como ministro da Justiça do governo até essa data — em fevereiro, ele deverá ser empossado como membro do STF.

“Teremos um evento histórico no dia 8 de janeiro, uma iniciativa do presidente Lula, que foi apoiada pelos chefes de todos os poderes, um ato de celebração democrática com todas as autoridades do Brasil”, afirmou Cappelli esta semana.

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