O dólar termina o dia com pequeno aumento em uma sessão de baixa atividade financeira.

Por Arthur Cagliari, Valor — São Paulo
15/01/2024 17h14 Atualizado 15/01/2024
O dólar à vista encerrou a sessão desta segunda-feira (15) com valorização em relação ao real, em um dia marcado pela alta global da moeda americana. Nas negociações de hoje, houve baixa liquidez devido ao feriado nos Estados Unidos em comemoração ao dia de Martin Luther King Jr. Pela manhã, o dólar subiu consistentemente, mas perdeu força à tarde.

Ao final do pregão do mercado à vista, o dólar comercial fechou em alta de 0,18%, cotado a R$ 4,8657, após atingir a mínima de R$ 4,8312 e se aproximar da máxima de R$ 4,8865. No mesmo momento, o contrato futuro da moeda americana para fevereiro apresentava valorização de 0,24%, a R$ 4,8766, com um volume de negociação de aproximadamente 114,5 mil contratos, abaixo da média das últimas sete sessões, que foi de 220 mil. O índice DXY também registrou alta de 0,19%, atingindo 102,601 pontos.

Durante todo o dia, o dólar se manteve em alta em relação ao real, apresentando maior valorização pela manhã, mas perdendo impulso após a formação da Ptax diária. Apesar das negociações terem sido afetadas pelo feriado nos Estados Unidos, a semana promete ser relevante para os ativos, com a divulgação de dados sobre a atividade econômica americana, como vendas do varejo e produção industrial.
Embora haja uma tendência de alta do dólar em relação ao real no curto prazo, a Wagner Investimentos projeta queda no médio e longo prazo. De acordo com uma nota da empresa, “a diferença nas taxas de juros de dois anos entre Brasil e Estados Unidos aumentou 70 pontos-base desde o início do ano, o que ajuda a explicar a recente queda do dólar em relação ao real, mesmo com o índice do dólar (DXY) próximo a 102,50”, acrescentando que as moedas da Colômbia e do México também tiveram uma alta significativa nos últimos dias. “Esse movimento é resultado do grande diferencial de juros desses países em relação aos EUA”.
Na mesma linha, Eduardo Moutinho, analista da Ebury, afirma que o “carry-trade” continuará beneficiando o real neste ano, apesar de uma redução no diferencial de juros. “Esses cortes nas taxas que o BC irá fazer já estão precificados pelo mercado. O principal fator dessa estratégia está nos Estados Unidos, em relação à magnitude e ao momento em que o Fed irá cortar as taxas de juros”, diz. “No entanto, acreditamos que em algum momento o BC americano adotará uma postura mais “dovish” [favorável ao afrouxamento monetário].”
Em relação aos fluxos, Moutinho vê o Brasil se beneficiando tanto pelas entradas via conta financeira quanto via conta comercial. “Com os cortes de juros nas principais economias, o Brasil deverá se tornar um dos principais destinos para os investidores. Além disso, acreditamos que as commodities terão preços mais altos, devido ao otimismo em relação à economia chinesa e aos subsídios governamentais, o que pode continuar beneficiando o minério de ferro.”
No entanto, nem todos pensam da mesma forma. O banco holandês ING afirmou que vê ventos contrários para o real, principalmente devido às incertezas fiscais e, especialmente, em relação ao minério de ferro. “Uma das principais exportações do Brasil, o preço do minério de ferro parece ter subido demais e uma correção pode levar o real para trás.”
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