O dólar tem ganhos impulsionados por perspectivas internacionais, movimentação financeira de final de ano e preocupações fiscais em destaque.

Por Arthur Cagliari, Valor — São Paulo

15/12/2023 18h09 Atualizado há 23 horas

O dólar comercial encerrou com valorização em relação à moeda brasileira. Operadores mencionaram como motivo dessa apreciação algum ajuste na recente desvalorização global do dólar (hoje a moeda americana valorizou em relação à maioria das moedas mais líquidas), a cautela devido às incertezas fiscais no Brasil, além do fluxo sazonal de saída no final do ano.

Ao final das negociações, o dólar comercial fechou cotado a R$ 4,9367, com alta de 0,45%. A mínima do dia foi de R$ 4,9046, enquanto a máxima foi de R$ 4,9508. Na semana, o dólar à vista registrou alta de 0,15%. Por volta das 17h05, o contrato futuro para janeiro registrava valorização de 0,43%, a R$ 4,9385, enquanto o índice DXY avançava 0,55%, para 102,519 pontos.

A sessão de hoje começou com o dólar ganhando força globalmente e, especialmente, em relação às moedas de mercados emergentes. Felipe Garcia, chefe da mesa de operações do C6 Bank, lembra que as moedas desses mercados não se beneficiaram tanto quanto as moedas de economias centrais após o Fed adotar uma postura mais favorável à política monetária expansionista. “O banco central americano teve uma postura mais suave, surpreendendo de certa forma ao falar sobre cortes de juros, enquanto os bancos centrais europeus, principalmente a presidente do BCE, Christine Lagarde, mantiveram uma postura um pouco mais rígida. Essa diferença ajudou, sim, as moedas de mercados desenvolvidos”, explica.

Operadores mencionaram as incertezas em relação aos projetos para aumentar a arrecadação como um fator que influenciou o real. Garcia, do C6 Bank, afirma que sente algum impacto das discussões sobre a agenda econômica afetando o câmbio, mas de forma leve. “Além das questões fiscais, também temos o fato de que dezembro é um mês com mais saída de capital aqui”, acrescenta.

Ao longo da sessão desta sexta-feira, o dólar ganhou mais impulso, ultrapassando a marca de R$ 4,95. Pela manhã, o presidente do Fed de Nova York, John Williams, afirmou que os cortes de juros não estão sendo realmente discutidos no momento e que as reações do mercado têm sido bastante intensas. Esses comentários foram suficientes para criar um mau humor entre os participantes do mercado e pressionar o câmbio doméstico para baixo.

Na opinião de Garcia, do C6 Bank, os membros do Fed estão tentando controlar a euforia dos investidores. “Eles estão tentando evitar que o mercado avance além do razoável e acabe prejudicando a intenção de convergência da inflação para a meta; estão tentando não tornar as condições financeiras muito frouxas”, afirma.

Para o chefe da mesa de operações do C6 Bank, os dados econômicos devem fornecer uma orientação mais clara para os ativos agora. “Os números da economia continuam saudáveis, agora precisamos ver os números da inflação daqui para frente. Eles devem determinar o comportamento do mercado e do próprio Banco Central”, destaca.

O C6 Bank divulgou ontem que alterou sua projeção de câmbio para o final de 2024 devido à postura mais favorável do BC americano. “Continuamos acreditando que o real deve se depreciar, influenciado pela queda da taxa Selic em um contexto de taxas de juros ainda altas nos EUA”, diz o relatório divulgado pela área econômica do C6 Bank, liderada por Felipe Salles. “No entanto, a perspectiva de uma queda antecipada dos juros pela autoridade americana nos fez revisar nossa projeção para o dólar de R$ 6,00 para R$ 5,50 ao final de 2024”.

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