O dólar está em alta devido ao peso das questões fiscais, fatores externos e ao fluxo de final de ano.

Por Arthur Cagliari, Valor — São Paulo
15/12/2023 10h27 Atualizado há um dia
A moeda comercial dos Estados Unidos está se valorizando em relação ao real brasileiro durante a sessão desta sexta-feira. Operadores mencionam como motivos dessa valorização a correção da recente depreciação global do dólar, a cautela devido às incertezas fiscais e o fluxo sazonal de saída no final do ano. Durante a sessão, o dólar se desvincula das taxas de juros no exterior, apesar da queda nos rendimentos dos Treasuries, mesmo com comentários mais conservadores do presidente do Federal Reserve de Nova York, John Williams.
Por volta de 13h20, o dólar comercial estava sendo negociado com uma alta de 0,51%, atingindo R$ 4,9394, após alcançar a mínima de R$ 4,9046 e se aproximando da máxima de R$ 4,9508. No mesmo horário, o contrato futuro para janeiro da moeda americana apresentava uma valorização de 0,48%, chegando a R$ 4,9410, enquanto o índice DXY aumentava 0,41%, atingindo 102,371 pontos.
A sessão de hoje começou com o dólar mostrando força globalmente, principalmente em relação às moedas de mercados emergentes. Felipe Garcia, chefe da mesa de operações do C6 Bank, destaca que as moedas desses mercados não se beneficiaram tanto quanto as moedas de economias centrais após os comentários mais “dovish” do Fed. “O Fed americano foi mais suave do que o esperado, surpreendendo de certa forma, enquanto os bancos centrais europeus, especialmente Christine Lagarde do BCE, tiveram uma postura um pouco mais dura. Essa diferença de postura ajudou mais as moedas de mercados desenvolvidos.”
Na sessão de hoje, o dirigente da filial do Fed de Nova York, John Williams, afirmou que cortes de juros não estão realmente sendo discutidos no momento e que as reações do mercado têm sido bastante expressivas. Tais comentários foram o suficiente para criar um clima de pessimismo entre os participantes do mercado, mas o sentimento mais negativo desapareceu rapidamente. Para Garcia, do C6 Bank, os membros do Fed estão tentando controlar o entusiasmo dos investidores. “Eles estão tentando evitar que o mercado avance muito além do que é razoável e cause problemas para a meta de convergência da inflação; eles estão tentando não flexibilizar demais as condições financeiras.”
Para o chefe da mesa de operações do C6 Bank, são os dados econômicos que devem fornecer uma orientação mais clara para os ativos agora. “Os números da economia continuam saudáveis, agora precisamos observar os dados de inflação daqui para frente. Eles é que devem ditar o comportamento do mercado e do próprio Banco Central.”
O C6 Bank divulgou ontem que alterou sua projeção cambial para o final de 2024, devido à perspectiva mais “dove” do Banco Central americano. “Continuamos a acreditar que o real deve se desvalorizar, influenciado pela queda da Selic em um cenário de juros ainda altos nos Estados Unidos”, diz relatório publicado pelo departamento econômico do C6 Bank, liderado por Felipe Salles. “No entanto, a perspectiva de uma queda antecipada dos juros por parte da autoridade americana nos fez revisar nossa projeção para o dólar de R$ 6,00 para R$ 5,50 ao final de 2024.”
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