Milei informa aos líderes dos Brics que a Argentina não se juntará ao grupo de países em desenvolvimento.

Por Valor — São Paulo

29/12/2023 11h47 Atualizado há um dia

O novo presidente da Argentina, Javier Milei, formalizou aos líderes dos países que integram o grupo dos Brics que não tem interesse que seu país passe a fazer parte do bloco.

A Argentina havia sido convidada em agosto a integrar o grupo e na ocasião o então presidente argentino Alberto Fernández afirmou que a adesão seria uma grande oportunidade e um caminho para que o país tenha acesso a novos mercados e investimentos.

Milei, na época ainda candidato, manifestou sua contrariedade à adesão ao bloco.

Agora, em uma carta enviada aos líderes dos países integrantes dos Brics — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — o novo presidente argentino afirmou que “não se considera oportuna a incorporação da República Argentina aos Brics como membro pleno a partir de primeiro de janeiro de 2024”.

Ainda de acordo com a carta, reproduzida pela imprensa argentina nesta sexta-feira (mas datada do dia 22), Milei afirma que a linha da política externa adotada por seu governo “difere em muitos aspectos da do governo anterior”.

E acrescenta: “Neste sentido, algumas decisões tomadas pela gestão anterior serão revisadas. Entre elas se encontra a criação de uma unidade especializada para a participação ativa do país nos Brics, segundo o que foi indicado pelo ex-presidente Alberto Fernández em sua carta em 4 de setembro”.

Ao formalizar sua decisão de não adesão, a Argentina abre mão da possibilidade de obter recursos de financiamento do banco dos Brics, o Novo Banco de Desenvolvimento, sediado em Xangai e presidido atualmente pela ex-presidente Dilma Rousseff.

O banco foi criado como uma tentativa de ser uma fonte de recursos alternativa ao Banco Mundial, cujo comando e estrutura são fortemente influenciados pelos Estados Unidos.

A expansão do número de integrantes é um tema que vem sendo discutido há tempos pelos membros dos Brics. Em 1° de janeiro o número de participantes deve dobrar, com a entrada da Arábia Saudita, do Irã, dos Emirados Árabes Unidos, da Etiópia e do Egito, segundo afirmou nesta sexta-feira a embaixadora da África do Sul para o bloco, Anil Sooklal.

De acordo com o G1, fontes do governo Lula disseram que a formalização da Argentina de não aderir ao bloco foi recebida com “zero surpresa” em Brasília.

No ano passado Milei, ainda durante a campanha eleitoral havia dito que uma vez eleito, o alinhamento geopolítico da Argentina sob o seu governo seria com os Estados Unidos e com Israel. “Nós não vamos nos alinhar com comunistas”, disse ele na época.

Até o governo Fernandez, a Argentina vinha mantendo uma relação intensa com o governo comunista da China, com acesso a uma linha de swap cambial e inúmeros investimentos chineses em território argentino.

Os BRICS, no formato atual, reúnem 40% da população mundial e cerca de 25% do PIB global.

Entretanto, como bloco, não conseguiram até agora atuar como um grande player na esfera global e tem sido criticado por não levarem adiante grandes ambições referentes a comércio e a diplomacia. (Com agências internacionais)

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