Lula pretende atrair evangélicos por meio de propostas econômicas

Em busca de estabelecer conexão direta com evangélicos, pastores e igrejas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está traçando planos para conquistar esse público por meio de possíveis melhorias na economia e programas sociais, de acordo com o ministro da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), Paulo Pimenta.

Essa estratégia tem como objetivo atrair uma parcela da população alinhada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A manifestação em apoio a Bolsonaro no último dia 25 na Avenida Paulista, com forte teor político-religioso, destacou a necessidade percebida no Planalto de se aproximar dos evangélicos. No entanto, Pimenta afirma que a percepção do presidente não mudou.

“Ele [Lula] acredita que não [é necessário estreitar relações com as denominações]. Ele acredita que o que realmente faz a diferença, o que impacta a vida das pessoas é o que mexe com o bolso”, afirma Pimenta ao Valor. “O governo não tem uma estratégia política, não tem uma estratégia de comunicação direcionada aos evangélicos. E não terá.”

A Secom tem realizado pesquisas internas qualitativas que, segundo Pimenta, auxiliam o governo a orientar suas ações voltadas a esse público, sem precisar abordar questões religiosas diretamente.

Essas pesquisas têm revelado, por exemplo, que uma grande parte das mulheres é a principal provedora do lar e foi a primeira na família a empreender. Pimenta destaca que a maioria delas trabalha no setor informal. Apesar da precariedade, esse tipo de trabalho oferece flexibilidade para buscar os filhos na escola. Dessa forma, a aposta do governo em escolas em tempo integral pode contribuir para aumentar a popularidade de Lula nesse segmento.

“A mulher evangélica tem receios. Como conseguir um trabalho estável? Quem irá preparar o almoço? Como ficar com o filho à tarde?”, questiona Pimenta. “Qual é o maior desejo dessa mulher evangélica? O que pode realmente transformar a vida dela? É ter os filhos em escolas em tempo integral.”

Neste ano, o governo também planeja adotar medidas para expandir o acesso ao crédito, visando agradar os evangélicos e outros setores, como os motoristas de aplicativos.

Apesar disso, o ministro reconhece a importância de uma linguagem que seja efetiva na comunicação com os evangélicos. O slogan “Um só povo”, utilizado em uma campanha publicitária no final de 2023, levou esse fator em consideração. Os anúncios contaram com um jingle interpretado pelo cantor gospel Kleber Lucas e personagens louvando “glórias a Deus” pelos programas sociais do governo.

“Tivemos o cuidado de dialogar com a iconografia evangélica. Na vestimenta da mãe, na representação das coisas dentro da casa, na escolha de uma frase específica”, ressalta Pimenta.

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