Lula afirma que é necessário celebrar a primeira modificação fiscal em um sistema democrático.

Por Andrea Jubé e Rafael Bitencourt, Valor — Brasília
20/12/2023 10h49 Atualizado há 23 horas

Na abertura da última reunião ministerial do ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mencionou a importância de “valorizar” os projetos que o governo conseguiu aprovar no Congresso, especialmente a reforma tributária. Ele elogiou a atuação de sua equipe de articulação política e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no diálogo com o Parlamento.
“Devemos celebrar a primeira reforma tributária em um regime democrático”, afirmou Lula, na quarta-feira (20). O presidente ressaltou que esse feito foi alcançado apenas por meio da “prática da negociação”.
Sem entrar em detalhes, Lula refutou as notícias de troca de favores na articulação com o Congresso para aprovar as medidas do pacote econômico que visam aumentar a arrecadação, bem como a reforma tributária.
Nos bastidores, além da ampliação da liberação de emendas, o grupo liderado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), assumiu a presidência da Caixa Econômica Federal e em breve será contemplado com vice-presidências do banco.
Durante o ano, partidos do Centrão, como o PP (de Lira) e o Republicanos, assumiram ministérios em troca de adesão à base aliada. O Republicanos passou a controlar o Ministério de Portos e Aeroportos e o PP assumiu a pasta do Esporte.
Lula criticou as notícias de que a negociação com o Congresso teria envolvido questões de “menor nível”, sem especificar sobre o que se tratava. Ele reafirmou que seu governo não negocia com o “Centrão”, mas sim com partidos políticos.
O presidente ressaltou que ainda será necessário acompanhar os resultados esperados da reforma tributária. Ele afirmou que não é possível fazer milagres na economia, “nem dar uma guinada brusca”, mas que a capacidade de “conversação” será a regra em seu governo.
Em uma crítica indireta ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sem mencionar seu nome, Lula disse que não agirá como o governante que trocou “a mesa de negociação por uma metralhadora ou um fuzil”.
O presidente garantiu que seu governo não fará “milagres” na política econômica. Ele afirmou que seu governo, no primeiro ano do mandato, tem transmitido uma imagem de estabilidade, credibilidade e previsibilidade.
Segundo o presidente, isso é possível porque estão “colhendo hoje um pouco do que havíamos plantado” desde o início do ano. “É como uma árvore que está plantada, que precisamos regar, adubar e continuar conversando para aperfeiçoar”, acrescentou o presidente.
Para Lula, a forma como seu governo começou serve “para dar ao povo brasileiro e ao mundo inteiro, que deseja investir no Brasil, a certeza de que este país está tratando com muita seriedade a questão econômica, e que em nenhum momento pensamos em fazer milagres, querer fazer uma guinada brusca em um país do tamanho do Brasil”.
O presidente também afirmou que continuará governando em 2024 “da mesma forma”, estabelecendo a capacidade de conversação e diálogo como regra.
“Não seremos como o governante que acredita que pode trocar a mesa de diálogo por uma metralhadora, um fuzil ou um canhão. Quando chegamos a esse nível de tomada de decisão, a ignorância venceu a inteligência”, declarou ele, no Palácio do Planalto.
Em seu discurso, transmitido pela internet e pelos canais oficiais, Lula defendeu que a “democracia pressupõe tolerância e convivência democrática na diversidade”.
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