Lucros nas bolsas de valores de Nova York são contidos devido à cautela do Fed; taxas dos títulos do Tesouro aumentam.


Por Igor Sodré, Valor — São Paulo
18/12/2023 12h32 Atualizado há 16 horas

Os rendimentos dos Treasuries começaram a aumentar no final da manhã desta segunda-feira, limitando os ganhos das principais bolsas de Nova York. Isso ocorre após mais dirigentes do Federal Reserve (Fed) expressarem comentários mais cautelosos sobre o futuro da política monetária da instituição, contrariando as declarações recentes do presidente do Fed, Jerome Powell, e afastando a possibilidade de cortes nas taxas de juros a curto prazo.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o rendimento do T-note de 2 anos estava em alta, a 4,455%, em comparação com 4,434% no fechamento de ontem. O retorno do T-note de 10 anos subia de 3,914% para 3,959%.

Em Wall Street, o Dow Jones registrava um aumento de 0,23%, chegando a 37.391,87 pontos, enquanto o S&P 500 subia 0,48%, atingindo 4.741,57 pontos, e o Nasdaq apresentava alta de 0,37%, alcançando 14.868,12 pontos.

O índice DXY, que mede a relação do dólar com uma cesta de seis moedas de países desenvolvidos, apresentava uma queda de 0,01%, para 102,544 pontos.

Nesta manhã, a presidente do Fed de Cleveland, Loretta Mester, em entrevista ao Financial Times, afirmou que os mercados financeiros estão se antecipando ao precificar cortes de juros já no início do próximo ano.

Além de Mester, o presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, alertou em uma entrevista à CBS que é muito cedo para declarar vitória na batalha do banco central para levar a inflação de volta à meta de 2% sem causar uma grande recessão.

Os comentários dos dois dirigentes ecoam as declarações feitas na sexta-feira por John Williams, do Fed de Nova York, que afirmou que o banco ainda não está discutindo cortes nas taxas de juros, e por Raphael Bostic, da distrital de Atlanta, que foi ainda mais cauteloso ao afirmar que os cortes nas taxas de juros não são iminentes e dependem da continuação da queda da inflação nos Estados Unidos.

No entanto, o Deutsche Bank destaca que os mercados ainda estão prevendo uma redução nas taxas de juros de forma agressiva no próximo ano, com uma probabilidade de 83% de um corte até a reunião de março. O banco também menciona que atualmente há mais de 150 pontos base de cortes precificados entre as reuniões de janeiro de 2024 e janeiro de 2025, e que na maioria das vezes em que esse ritmo de cortes foi observado historicamente, ocorreu uma recessão.

Assim, para o Deutsche Bank, há um risco bilateral. Por um lado, para que ocorram cortes tão rápidos, a história sugere que provavelmente será necessária uma recessão, o que não seria uma boa notícia para os ativos de risco. Por outro lado, se a economia se sair melhor do que o esperado, então o risco alternativo é que os mercados não enxerguem a quantidade de cortes que estão atualmente precificados, o que é, em termos gerais, o que aconteceu este ano.

Nesse cenário, o Société Générale prevê que o mantra de juros “mais altos por mais tempo” poderá ser repetido “com mais frequência”.

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