De acordo com Campos Neto, a taxa de juros real caiu de forma semelhante à taxa Selic.

Por Estevão Taiar, Valor — Brasília

19/12/2023 21h46 Atualizado 19/12/2023

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou hoje que o Brasil teve um cenário “que está no limite máximo das nossas expectativas” no atual período de desaceleração da inflação. Ele ressaltou que a queda nos preços ocorreu ao mesmo tempo em que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu e o mercado de trabalho melhorou. Essas declarações foram feitas durante um evento organizado pelo jornal “Correio Braziliense”, em Brasília.

Desde agosto, a taxa Selic já caiu de 13,75% para 11,75%, em termos anuais. De acordo com Campos, a taxa de juros real também caiu nessa mesma proporção.

“A taxa de juros real é muito alta, mas tem diminuído proporcionalmente à taxa nominal”, disse ele. “Isso também pode ser observado no crédito.” Ele acrescentou que, em comparação com a média histórica, os juros reais estão mais baixos.

Em relação ao potencial de crescimento da economia brasileira, o presidente do BC afirmou que as pesquisas realizadas pela autoridade monetária mostram uma melhora nesse aspecto, na visão dos agentes econômicos.

“Parece que as reformas têm gerado um efeito cumulativo que está levando a uma nova estimativa de crescimento potencial”, disse ele.

Ele também mencionou que se o crescimento for maior do que o esperado estruturalmente, isso pode ajudar o Brasil em termos fiscais, revertendo a tendência de aumento acentuado da dívida pública.

Sobre o cenário fiscal, ele ressaltou a importância de buscar um resultado primário zerado no próximo ano. “Todo mundo sabe que é difícil, mas é importante persistir, é uma luta constante”, afirmou.

Campos elogiou o esforço do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, com quem se reuniu durante a tarde de hoje.

No contexto interno, o presidente do BC ainda lembrou que a autoridade monetária estima uma taxa de juros neutra no Brasil de 4,5% em termos reais anuais, enquanto o mercado projeta algo entre 5% e 5,5%. Ele também destacou a queda na inadimplência e nas taxas de juros, em diversas modalidades.

Em relação ao cenário externo, ele afirmou que a grande questão para os banqueiros centrais é saber de onde virá e como será o processo de desinflação daqui em diante, após a primeira fase desse processo. Ele reconheceu que o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Jerome Powell, na semana passada, gerou incertezas, com o mercado precificando uma política monetária menos contracionista nos Estados Unidos. Por fim, ele disse que provavelmente não haverá mais revisões para baixo nas projeções de crescimento global para os próximos anos.

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