Campos Neto destaca aperfeiçoamento constante da taxa de inflação no Brasil.

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Por Estevão Taiar, Valor — Brasília

19/12/2023 21h01 Atualizado há um dia

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou que, devido ao recente comportamento benigno da trajetória de preços, é provável que ele não precise escrever uma carta justificando o descumprimento da meta de inflação em 2023.

“Estamos nos aproximando de um cenário em que isso (não escrever a carta) é uma possibilidade concreta”, disse hoje em um evento promovido pelo jornal “Correio Braziliense”, em Brasília.

Nos anos em que a inflação ultrapassa as metas estabelecidas, o presidente do BC precisa escrever uma carta para o ministro da Fazenda explicando o descumprimento. No acumulado de 12 meses até outubro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 4,68%. A meta de inflação para este ano é de 3,25%, com uma tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo.

No início de sua apresentação, Campos afirmou que 2023 “foi um ano com algumas surpresas positivas”.

Ele destacou, por exemplo, que “temos observado uma melhora consistente [na inflação] no Brasil”, mas de forma “convergente com o que esperávamos, nada diferente do que prevíamos”. Nesse contexto, “algumas instituições começam a revisar [para baixo] as projeções de inflação para o futuro”.

Mesmo assim, o presidente do BC afirmou que “ainda há trabalho a ser feito” para trazer a inflação dentro das metas e que o Comitê de Política Monetária (Copom) tem enfatizado isso em sua comunicação oficial. Uma preocupação destacada por Campos foi a inflação acima da meta nas projeções de longo prazo.

Segundo ele, os “próximos meses serão fundamentais” para avaliar se a queda da inflação está se consolidando. Campos mencionou exemplos de outros países da América Latina em que a trajetória de preços recentemente voltou a surpreender positivamente.

Campos reiterou que o Copom avalia a inflação atual, o hiato do produto (uma medida de ociosidade da economia) e as expectativas de inflação para tomar suas decisões. As expectativas consideradas são aquelas do Focus, as implícitas nos títulos públicos e as do próprio BC. Segundo o presidente, não há uma relação mecânica entre, de um lado, os cenários externos e fiscais e, de outro, as decisões do colegiado.

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