As polícias Federal e do Estado do Rio de Janeiro estão conduzindo investigações sobre possível vínculo entre uma deputada estadual carioca e grupos milicianos.

Por Alessandra Saraiva, Valor — Rio
18/12/2023 08h10 Atualizado há 11 horas
A Polícia Federal (PF) informou, em comunicado, ter iniciado a operação “Batismo” em parceria com o Ministério Público Estadual (MP-RJ). O objetivo é investigar a participação e articulação política de uma deputada estadual do Rio de Janeiro, juntamente com sua assessora, em favor de uma milícia privada que atua na Zona Oeste do Rio, conforme detalhado pela PF. Durante a operação desta segunda-feira (18), está previsto um mandado de busca na Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj).
As investigações da PF apontam para a “participação ativa da deputada estadual e de sua assessora na organização criminosa”. Segundo a autoridade, elas estão envolvidas especialmente na articulação política com órgãos públicos para atender aos interesses do grupo miliciano, que é investigado por organização criminosa, tráfico de armas de fogo e munições, homicídios, extorsão e corrupção.
No comunicado, a PF não revela o nome da parlamentar. No entanto, de acordo com o jornal “Bom Dia Rio”, da TV Globo, a deputada estadual Lúcia Helena de Amaral Pinto, conhecida como Lucinha, do PSD, é o alvo da operação de hoje. Segundo a emissora, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou o afastamento da parlamentar do cargo por tempo indeterminado.
A PF explicou que a operação de hoje é um desdobramento da operação “Dinastia”, realizada pela PF do Rio em agosto de 2022, com o objetivo de desmantelar uma organização criminosa formada por milicianos que atuam na Zona Oeste do Rio.
Nesta ação, cerca de quarenta policiais federais estão cumprindo oito mandados de busca e apreensão, emitidos pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ/RJ). Os mandados estão sendo cumpridos nos bairros de Campo de Grande, Santa Cruz e Inhoaíba, todos na Zona Oeste, e também no gabinete da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
Além dos mandados, a Justiça determinou o afastamento imediato das funções legislativas, a proibição de contato com determinados agentes públicos e políticos, assim como a proibição de frequentar a casa legislativa dos envolvidos na ação, informou a PF, sem citar nomes.
No comunicado, a PF também informou que o trabalho que deu origem à operação de hoje foi realizado pelo Grupo de Investigações Sensíveis da PF (GISE/RJ) e pela Delegacia de Repressão a Drogas (DRE/PF/RJ) em conjunto com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da Procuradoria Geral de Justiça – PGJ.
O nome da operação está relacionado ao apelido “Madrinha”, como as lideranças do grupo criminoso chamam a parlamentar, acrescentou a PF.
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