A desertificação avança e põe em risco a segurança alimentar, alerta a ONU.

Segundo um relatório das Nações Unidas (ONU), as maiores ameaças à nossa existência hoje em dia são causadas pela atividade humana, não apenas pela ação da natureza.

Muitas pessoas estão conscientes da contribuição humana para as mudanças climáticas e talvez também da perda da biodiversidade. No entanto, há um terceiro impacto ambiental que geralmente não recebe a atenção que merece: a desertificação, também conhecida como degradação do solo.

O mundo está perdendo rapidamente terras utilizáveis devido a ações humanas como agricultura intensiva, pastos em excesso para criação de gado, desenvolvimento imobiliário e as próprias mudanças climáticas. Essa crise está agravando a insegurança alimentar e hídrica, além de contribuir para a emissão de mais gases do efeito estufa.

Os cientistas ambientais não ignoram esse problema. Na verdade, a Eco-92, realizada no Rio de Janeiro, resultou na criação de três convenções da ONU: mudanças climáticas, biodiversidade e desertificação.

A convenção do clima realiza grandes reuniões de cúpula COP todos os anos – como a COP28 em Dubai – que frequentemente ganham destaque na mídia.

Embora as convenções da desertificação e da biodiversidade também realizem COPs, elas ocorrem apenas a cada dois anos e raramente despertam tanto interesse. Isso é uma oportunidade perdida, de acordo com Ibrahim Thiaw, secretário-executivo da Convenção da ONU para o Combate à Desertificação, que sugere que as pessoas pensam que se trata apenas dos desertos. “O termo desertificação é mal compreendido. É por isso que também usamos ‘degradação do solo'”.

Ironicamente, um dos maiores desafios na luta contra a degradação do solo é algo universal: a necessidade de alimentação. Cerca de 40% da superfície terrestre – 5 bilhões de hectares – é utilizada para agricultura. Do terreno agrícola, um terço é utilizado para culturas e o restante para criação de gado. Infelizmente, o mundo não possui um histórico sólido em práticas agrícolas sustentáveis. Nos últimos 500 anos, a atividade humana, principalmente a agricultura, levou à degradação de quase 2 bilhões de hectares de terreno.

Isso contribuiu para a liberação de cerca de 500 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente na atmosfera, o que corresponde a aproximadamente 25% de todos os gases do efeito estufa que contribuem para o aquecimento global. Se a degradação do solo continuar até 2050, mais 120 bilhões de toneladas de CO2 serão lançadas na atmosfera, piorando as mudanças climáticas.

Thiaw afirma que focar em projetos de restauração do solo pode alterar essa situação. “Não existem soluções para a degradação do solo que não tragam benefícios para outros problemas que enfrentamos”, diz ele.

Juntamente com a redução das emissões, um relatório do Fórum Econômico Mundial descobriu que o investimento anual de US$ 2,7 trilhões na restauração do ecossistema, agricultura regenerativa e modelos de negócios circulares poderia gerar cerca de 400 milhões de novos empregos e mais de US$ 10 trilhões de valor econômico anualmente.

Os governos globalmente gastam mais de US$ 600 bilhões em subsídios agrícolas diretos, que podem ser redirecionados para práticas que auxiliam na restauração do solo e aumentam as colheitas, afirma Thiaw. “Não há nada mais irracional do que usar dinheiro público para destruir nosso próprio capital natural”, diz ele.

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